Arte para a terceira idade
- Sophia Garcia

- 11 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de jun. de 2024
Pessoas da terceira idade buscam aprender algo novo e encontram um refúgio nas oficinas de arte ministradas por alunos de Design e bolsistas do projeto "Rejuvenescendo com Arte".
Por Sophia Garcia
É comum encontrar pessoas recém saídas do ensino médio ou de cursinhos pré-vestibulares nos corredores das universidade públicas, jovens na faixa dos 18 anos. Nos ateliês de Artes da UNESP de Bauru, no entanto, o público se diversifica nas quartas-feiras à tarde. É possível encontrar mulheres acima de 60 anos se aventurando com tinta, artesanato e cerâmica. São participantes do projeto "Rejuvenescendo com a Arte", uma ação extensionista filiada à Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI).
Presente nos campus da Unesp desde 1990, a UNATI tem a proposta de promover conhecimento e troca de saberes entre idosos, inscritos nas diferentes oficinas oferecidas pelo projeto, desde modelagem até informática, e as novas gerações de estudantes.
"A troca de saberes e experiências entre os jovens da graduação e pessoas 60+ tem um potencial muito grande, vai além do conhecimento artístico e as técnicas artísticas e materiais de criação. Engloba a convivência e a troca, que são mais enriquecedoras", diz a professora Thays Regina Ueno Yamada, responsável pelo projeto desde 2013.
No campus da Unesp de Bauru, essa ação extensionista começou em 2003, e hoje oferece cursos de artes, palestras e visitas monitoradas a todos os inscritos. Os bolsistas e alunos de Design e Artes Visuais ministram as oficinas de artes manuais, em parceria com alunos de outros cursos, como Biologia e Psicologia.
A ação mais recente realizada pelo "Rejuvenescendo com a Arte" foi um projeto de quatro aulas de cerâmica, durante os meses de abril e maio deste ano. Neia XXX, de 76 anos, estava presente na oficina. Ela participa das atividades da Unati desde 2011, quando viu uma reportagem na televisão sobre uma oficina de origami oferecida pelo projeto. "Eu não sabia fazer nada, tudo eu aprendi a fazer aqui, modelar, tear, desenho.", afirmou.
Além de ensinar o manuseio de materiais novos, o projeto torna-se um espaço de encontro, amizade e descontração para algumas participantes "Toda quarta-feira eu tô aqui, a amizade aqui é muito legal", disse Neia. "Tô mais desestressada, sabe? Não tô tão irritada, tô levando tudo a sorrisos! Eu sou muito ansiosa, nervosa e [o projeto] me ajuda a controlar tudo isso", comentou Cristina, outra aluna do "Rejuvenescendo".
Cristina Cardoso conheceu o projeto no ano passado, através de uma amiga. Ela comenta que, com as aulas e a aprendizagem de novas técnicas, sai de sua "zona de conforto" . "Acho diferente, nunca tinha pegado argila para mexer, eu sou acostumada com crochê."
Neia e Cristina também afirmam que gostam muito das interações com as gerações mais novas proporcionadas nesse ambiente; "É muito mais legal em grupo, a gente conhece mais pessoas. E pessoas diferentes!", disse Cristina.
A interação entre diferentes gerações formada pelas aulas traz benefícios para ambas as partes, como comentou a aluna Sofia Alves, que participa do projeto ministrando oficinas. "É diferente você lidar com pessoas que já tem uma ideia de arte formada. Ver os participantes se abrindo conosco é algo que me deixa muito feliz. Eu vejo muito dos meus avós neles e acho essa troca muito importante."
O projeto gera uma mistura intergeracional que não seria possível sem as oficinas e ações promovidas, como afirma a professora responsável; Pessoas de cabelo colorido, com tatuagem, pessoas trans, entram no convívio deles (os alunos idosos) e eles entendem melhor as coisas, fica uma socialização diferente para eles.
Alunas do Projeto UNATI. Foto: Sophia Garcia





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